SÍNDROME DE APERT - CORRELAÇÃO
ENTRE AS ALTERAÇÕES CRANIANAS E ENCEFÁLICAS, AVALIAÇÃO
NEUROPSICOLÓGICA E MOMENTO CIRÚRGICO.
PÓS GRADUANDO: Adriano Yacubian Fernandes
ORIENTADOR: Prof. Dr. José Píndaro Pereira Plese
LOCAL ONDE SE DESENVOLVE O TRABALHO: Hospital de Reabilitação
de Anomalias Craniofaciais, Universidade de São Paulo – Campus
– Bauru
INTRODUÇÃO: A
Síndrome de Apert também denominada acrocefalossindactilia é
uma forma rara de cranioestenose com fusão precoce de qualquer sutura
intracraniana, mais freqüentemente a coronária, associada a hipoplasia
da face média, síndactilia simétrica das mãos
e pés e outras alterações. A acrocefalossindactilia,
descrita por Apert em 1906, tem freqüência estimada em 1 por 160.000
nascimentos. As anormalidades intracranianas incluem ventriculomegalia, hidrocefalia
franca, anomalias de corpo caloso, hipoplasia ou ausência de septo pelúcido,
hipoplasia ou displasia do hipocampo e displasias ou distorções
do córtex cerebral. O retardo no desenvolvimento mental, considerado
comum na Síndrome de Apert, pode ser atribuído às anormalidades
cerebrais, à hipertensão intracraniana e às condições
sócio-econômicas dos pacientes. O tratamento cirúrgico
precoce tem por finalidade minimizar os efeitos da hipertensão intracraniana
que determinam déficit cognitivo adquirido.
OBJETIVOS: Sistematizar as alterações encefálicas (evidenciadas à Ressonância Magnética ) e cranianas (evidenciadas à Tomografia Helicoidal) observadas nos pacientes com Síndrome de Apert, correlacionando-as aos achados de exame neurológico e neuropsicológico. Tal correlação objetiva também definir qual é o melhor momento para a indicação do tratamento cirúrgico e qual a tática cirúrgica a ser instituída. Avaliar a qualidade de vida destes pacientes baseado na avaliação cognitiva e nas restrições pessoais que a patologia lhes determina.
METODOLOGIA: A casuística reúne 34 casos de pacientes com diagnóstico de Síndrome de Apert, 13 do sexo masculino e 21 do sexo feminino , com idade variando de 11 meses a 29 anos. A avaliação dos pacientes é realizada por uma equipe multidisciplinar que compreende especialistas nas áreas de pediatria, neurologia, neurocirurgia, otorrinolaringologia, genética, cirurgia plástica, cirurgia craniofacial, fonoaudiologia, psicologia, neuropsicologia , odontologia e radiologia. O estudo por imagem inclui tomografia helicoidal (TH) com reconstrução tridimensional (3D) do crânio e ressonância magnética (RM) nas diversas seqüências ( T1, T2 e IR) e nos diferentes planos.
RESULTADOS: Foi realizado estudo completo por imagem (TH e RM) em 18 pacientes, sendo evidenciado à RM: aumento dos ventrículos em 5 casos, hipoplasia de corpo caloso em 7 casos, hipoplasia de septo pelúcido em 5 casos, cavum vergae em 2 casos , alterações morfológicas dos hipocampos em 7 casos e cistos de aracnóide na fossa posterior em 2 casos. A TH evidenciou fossa anterior curta em 13 casos e fossas médias e posteriores profundas em todos os casos. A avaliação neuropsicológica determinou o quociente de inteligência (QI) ou de desenvolvimento (QD) em 21 casos , variando de 45 a 108 sendo que 7 pacientes apresentaram QI/QD igual ou inferior a 70. A análise audiológica de 13 pacientes evidenciou audição normal em 3 pacientes, predominando a perda auditiva bilateral moderada.
A avaliação fonoaudiológica foi normal em 2 entre 9 pacientes, nos quais predominou distúrbio de aprendizagem (3) e de leitura e escrita (3). O Questionário de Recursos e Estresse (QRS), usado para avaliar qualidade de vida dos pacientes e familiares, realizado em 12 famílias, determinou predomínio do item “pessimismo”. A análise sócio-econômica evidenciou que 23 famílias são de classe baixa ( BI=8 e BS=15), e 11 de classe média (MI=8 e M=3), dentre as quais, 5 responsáveis têm nível educacional superior completo. Das 7 crianças que foram a óbito, 5 foram por problemas respiratórios e 2 por complicações cirúrgicas. Excluindo-se os óbitos, 21 entre 27 pacientes foram operados e 6 não foram até o momento submetidas a tratamento cirúrgico.
CONCLUSÃO: A análise final comparativa de todos os dados compilados e estudados do ponto de vista estatístico permitirá concluir de forma positiva ou negativa quais fatores contribuem significativamente para o desenvolvimento cognitivo e para a qualidade de vida das crianças com Síndrome de Apert.
TOMOGRAFIA HELICOIDAL (RECONSTRUÇÃO 3D E MULTIPLANAR) EVIDENCIA: FOSSA ANTERIOR CURTA E FOSSAS POSTERIOR E MÉDIA PROFUNDAS (fig 1 ,2 e 3) , TURRICEFALIA (fig 4 e 5 ) , TRIGONOCEFALIA (FIG 7 E 8) E SINAIS DE CRANIOTOMIA FRONTAL (fig 6)
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AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA
WISC – Wechsler Intelligence Scale for Children , WISC III – Wechsler Intelligence Scale for Children 3ª edição , WAIS – Wechsler Adult Intelligence Scale , Escala de Gesell (Q.D) , Teste Terman – Merril (LM) – revisão do teste Binet –Simon , WPPPSI – Teste de inteligência para pré-escolares de Wechsler – 1983 – Editorial Paidos – Buenos Aires
QUOCIENTE DE INTELIGÊNCIA (QI) / QUOCIENTE DE DESENVOLVIMENTO (QD)

AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA E FONOAUDIOLÓGICA
CLASSIFICAÇÃO SÓCIO – ECONÔMICA DAS FAMÍLIAS

ESCOLARIDADE DOS MEMBROS DA FAMÍLIA - MAIOR NÍVEL EDUCACIONAL
CIRURGIA : MOMENTO E MODALIDADE
RESSONÂNCIA MAGNÉTICA EVIDENCIA: VENTRICULOMEGALIA (fig 1) , HIPOPLASIA DE SEPTO PELÚCIDO (fig 2 , 3 , 6 e 7 ) , ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS DO HIPOCAMPO ( fig 2 e 6 ) , HIPOPLASIA DE CORPO CALOSO (fig 5) E CISTO DE ARACNÓIDE NA FOSSA POSTERIOR (fig4)
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RESSONÂNCIA MAGNÉTICA:ACHADOS MAIS FREQÜENTES
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